Sentada
no comboio, escuto ao longe a birra dum menino, que contrariado pela mãe soluça
sem parar. Envolvida pelo momento, o meu pensamento dispara.
Hoje
é domingo e mais uma vez dirijo-me ao IPO onde o meu neto está internado há
quase 2 meses.
Porque
não estará ele aqui comigo, ainda que aos gritos como aquele menino?
Olho
pela janela.
Ao
pensamento espirálico, sobrepõe-se repentinamente a espuma branca do mar
revolto, que me relembra com inteligência a natureza e as suas implacáveis
Leis.
Das tempestades
às calmarias, dos fortes ventos às aconchegantes brisas, tudo está
absolutamente certo, nada é fora de nada e tudo se interrelaciona entre-si.
Este
é o nosso processo também.
Na
verdade não poderia ser diferente, visto a VIDA ser o que SOMOS e não o que VEMOS
ao nosso redor.
Apaziguada,
sinto-me de regresso à minha essência.
A
Vida é sublime. Cada um tem o seu propósito e não há “Ses”.
Na
verdade, o meu neto está onde tem de estar, não que eu alguma vez o tivesse
desejado, mas porque acima de mim e dos meus “quereres” está um querer maior,
não entendível ainda mas absolutamente certo no propósito de Vida dele e de
todos os que o rodeiam.
Escuto
agora a voz do menino com outro ‘olhar’.
Sei
que a Vida o abençoará, como abençoa todos nós.
Sei
que irá tropeçar e cair vezes sem conta. Sei também que se poderá reerguer ou
permanecer deitado, mas sobretudo sei que tem um propósito só SEU, uma
impressão digital cósmica que faz dele
um SER ÚNICO na Terra.
E,
apesar da Vida nas suas múltiplas dinâmicas ser tantas vezes um mistério, o
reconhecimento de que somos regidos por um desígnio maior, não só nos honra
enquanto humanos, como também nos pode ajudar a aceitar, que existindo uma
parte que não podemos controlar ou modificar, essa é a parte que ‘prova’ a
existência de uma Ordem maior que rege todos sem excepção e que sabe sempre
mais que nós.
Chamo-lhe
o Dedo de Deus.
Esse
mesmo Dedo que tocou as nossas Vidas há um ano atrás, abençoando-nos com a chegada à Terra do meu neto Duarte, escolhendo agora abençoar-nos com o duro
desafio que é a sua doença.
Esse
mesmo dedo que diariamente testa a minha fé, relembrando-me vezes sem conta que
cada UM tem o seu propósito, que somos muito mais que um corpo físico e que,
mais do que pertencermos a uma família biológica a que nos apegamos, pertencemos
a uma “Grande-Família” que na Terra, alquimicamente vem aprender a eterna
permanência do AMOR, na constante e cíclica impermanência da Vida.
Ao aceitar
que cada UM é único e trás consigo o “seu-desígnio-maior” e que a minha impotência
nada mais é que o “divino-a-fazer-a-sua-parte”, sinto-me a desvendar parte deste
mistério.
Este
mistério que a todos envolve, mas que nem todos têm vontade de abraçar.
Não
está ao meu alcance mudar o meu neto de cenário. Isto é, não está ao meu
alcance tirá-lo do Hospital e levá-lo a passear de comboio.
Mas,
está ao meu alcance CONFIAR que o Dedo de Deus o tocará com a mesma sabedoria e ternura com que a mim me tem tocado.
Está
ao meu alcance AMAR-ME para melhor o saber AMAR.
Está
ao meu alcance acolher a minha fé, não deixando que a minha mente me arraste
para pântanos, que a minha Alma sabe não existirem.
Está
ao meu alcance validar cada experiência, tornando-a a única possível, para o
que todos precisamos de com ela aprender.
Está
ao meu alcance encostar as minhas às suas mãos,
Sabendo
no entanto,
Que por
mais que se toquem,
Só o
DEDO DE DEUS as poderá realmente entrelaçar!
E nada acontece por acaso. Sem procurar nada eis que este texto veio parar no meu facebook. E que surpresa tive!!! A avó do Duarte! Que palavras apaziguadoras acabo de ler. Que privilégio conhecer pessoalmente a avó do Duarte. Sim. Conhecemo-nos no IPO porque o ''dedo de Deus'' quis que o Duarte e o Pedro se cruzassem e que os pais do Pedro e os pais do Duarte ficassem amigos e... o resto ainda havemos de vir a compreender... e nada acontece por acaso...
ResponderEliminarE nada acontece por acaso. Sem procurar nada eis que este texto veio parar no meu facebook. E que surpresa tive!!! A avó do Duarte! Que palavras apaziguadoras acabo de ler. Que privilégio conhecer pessoalmente a avó do Duarte. Sim. Conhecemo-nos no IPO porque o ''dedo de Deus'' quis que o Duarte e o Pedro se cruzassem e que os pais do Pedro e os pais do Duarte ficassem amigos e... o resto ainda havemos de vir a compreender... e nada acontece por acaso...
ResponderEliminarLindo minha querida Cristina, que o Dedo de Deus nos entrelace a todos como só Ele sabe fazer, bem hajas pelas tuas lindas partilhas com tamanha significância!
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